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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Lutadores iniciantes penam para colecionar vitórias e tentar vaga no UFC

Primeiro emprego: expressão difícil. Entrar no mercado de trabalho não é tarefa fácil no Brasil, ainda mais quando não se tem experiência. Os números provam isso: cerca de 6% da população brasileira está desempregada, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No mundo esportivo, a realidade é idêntica. A popularização do MMA fez crescer o contigente de praticantes de artes marciais que sonham em se tornar o próximo Anderson Silva. O objetivo deles é chegar ao Ultimate Fighting Championship (UFC), o maior evento de lutas do mundo. Mas o chefão Dana White e os irmãos Fertitta, detentores da marca, não contratam jovens recém-saídos das aulas de jiu-jítsu.

Para entrar no octógono do UFC, é preciso experiência, algo que os atletas buscam em eventos menores. É o caso de Guilherme Soares, o Tupã, 18 anos, e Roosevelt Raphael, 24, que escolheram o MMA como profissão. Até a última sexta-feira, os dois tinham apenas uma luta no cartel — cada um, uma vitória — e ganharam nova oportunidade profissional para o currículo no evento brasiliense Golden Combat, realizado no Sindilegis, antiga Ascade, onde se enfrentaram: melhor para Tupã, em decisão dividida dos árbitros.

Os dois lutadores treinavam na mesma academia, mas, após desentendimentos, decidiram pela separação. “Nosso santo não bate”, afirma Tupã. Todos confirmaram isso na pesagem que antecedeu o combate. Os ex-parceiros quase saíram na mão em cima do palco.

Conseguir uma vaga em um evento de lutas é quase como passar por uma entrevista de emprego. “Eles olham o seu currículo e veem que você não tem tantas lutas. Isso complica, porque é preciso convencer, contar com bons professores que possam fazer o contato”, conta Tupã, que no primeiro confronto da carreira venceu o adversário por nocaute técnico no terceiro round, o que já o ajudou a abrir as portas.

A paixão pelas lutas começou cedo na vida de Tupã. Aos sete anos, o garoto investiu na capoeira. A ginga, pouco treinada pelos lutadores de MMA, já o ajudou a garantir vitórias em combates amadores. Mas para conseguir o novo emprego, precisou penar. A vaga era na categoria até 77kg. Naturalmente, o 1,90m do jovem pesa 85kg. Em apenas três semanas, ele perdeu quase nove quilos, o suficiente para cravar 76,6kg na balança oficial do Golden Combat, confirmar presença na segunda luta profissional da carreira e garantir mais uma vitória rumo ao UFC.

Viver de lutas
Antes de estrear no MMA, Guilherme Tupã havia realizado sete combates de muaythai (todos com vitória) e 17 de jiu-jítsu (14 triunfos e três derrotas). Com esse histórico, ele pôde lutar profissionalmente em setembro. Apesar da curta carreira de apenas dois meses, ele já consegue viver dos ringues. Não trabalha nem estuda. Mantém-se com o auxílio de patrocinadores e os pais apoiam a decisão.

Roosevelt também vive das lutas. Atualmente cursa faculdade de educação física, enquanto sonha com um octógono sob holofotes maiores. No primeiro duelo como profissional, também nocauteou o adversário.

Quem são eles

Carlos Silva/CB/D.A Press
Nome: Guilherme Soares (Tupã) (e)
Data de nascimento: 26 de agosto de 1993
Local: Brasília (DF)
Peso: 77kg
Altura: 1,90m
Vitórias: 2
Empates: 0
Derrotas: 0

Nome: Roosevelt Raphael (d)
Data de nascimento: 31 de agosto de 1987
Local: Maceió (AL)
Peso: 77kg
Altura: 1,79m
Vitórias: 1
Empates: 0
Derrotas: 1

Um atalho para a fama
Estão abertas as inscrições para a edição brasileira do reality show do UFC: The Ultimate Fighter. Para participar, é necessário ter de 21 a 35 anos, contar com no mínimo três lutas (com duas vitórias) e pertencer às categorias pena (de 62kg a 66kg) ou médio (de 78kg a 84kg). Os interessados devem fazer a inscrição no site www.ufc.com.br. A primeira fase da seleção está prevista para 14 de dezembro, em São Paulo, onde o programa será realizado. O vencedor ganha um contrato com o UFC. Especula-se que os treinadores desta edição sejam os brasileiros Vítor Belfort ou Anderson Silva.

FONTE:
http://www.superesportes.com.br/app/19,66/2011/11/28/noticia_maisesportes,26203/lutadores-iniciantes-penam-para-colecionar-vitorias-e-tentar-vaga-no-ufc.shtml

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