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quinta-feira, 24 de maio de 2012

Documentário sobre lenda do surfe reconta história do esporte


Rico foi um dos principais surfistas do Brasil e se tornou uma lenda do esporte. Foto: Divulgação
Rico foi um dos principais surfistas do Brasil e se tornou uma lenda do esporteFoto: Divulgação
ALLAN BRITO
Para virar uma lenda do surfe nos anos 70 e 80 não bastava apenas alcançar as melhores e maiores ondas. Era uma época diferente, em que os surfistas acabavam sendo mal vistos pela sociedade e não ganhavam tanto dinheiro, mas faziam tudo por paixão. Ricardo Fontes de Souza, o Rico, conseguiu se destacar nessa época. Seja no Pier de Ipanema, no Rio de Janeiro, ou em alguma praia do Havaí, ele protagonizou histórias, conquistou títulos e, de fato, virou uma lenda do esporte. Tempos depois, no sexagenário aniversário desse atleta visionário, todo esse ambiente será resgatado pelo documentário Rico 60, produzido pela Sentimental eTAL.
Segundo o diretor do filme, Guga Sander, não será contada apenas a história de um surfista. Toda a memória do esporte será relembrada por quem viveu a origem dele. A vida de Rico será como um fio condutor para recontar a história do surfe. E quem fará isso são pessoas importantes - não só estrelas do esporte, mas também da música e da arte em geral.
Entre os surfistas que participaram do filme estão os também lendários Randy Rarick, Fred Hemmings, Clyde Aikau e Fast Eddie - este foi chamado de "Al Capone do Havaí" por Guga Sender, que admitiu ter sentido temor durante a entrevista. No Brasil os depoentes foram os surfistas Gabriel Medina e Mineirinho, além de estrelas do mundo pop, como Evandro Mesquita e Kadu Moliterno. "Uns choravam, outros riam. Tinham muitas emoções distintas", contou Guga, em entrevista exclusiva ao Terra.
O documentário ainda não está pronto e só deve ser lançado no final deste ano. Entrevistas diversas ainda serão feitas - Guga pretende filmar com um membro importante da MPB daquela época, que pode ser Gilberto Gil, Caetano Veloso ou Gal Costa, por exemplo.
Evidentemente, eles não são surfistas, mas são pessoas importantes que viveram uma época de transição no País. Afinal, como o próprio diretor concluiu, se o surfe evoluiu, é porque a sociedade brasileira também se transformou.
Veja a seguir a entrevista completa com Guga Sander, diretor do documentário Rico 60:
Terra - É claro que o documentário foi motivado pelos 60 anos do Rico, mas o que mais originou a ideia do filme?
Guga Sander - 
Fora a data comemorativa, tem também meu amor pelo esporte. Eu pego onda e sempre gostei desse universo, desde menino. E gostava do próprio Rico, por ser uma pessoa que presenciei um pouco das atividades. Minha vida é metade da dele, mas eu eu vi algumas coisas. E fora isso, teve uma pessoa em comum, o Leo Caetano, que era amigo da nossa produtora. E foi ele que lançou a ideia primeiro. A gente conversou e resolveu tocar.
Terra - E como foi a reação do Rico ao saber da intenção de vocês?
Guga Sander - 
Ele recebeu de maneira positiva e super empolgado. Era um sonho que ele tinha. Na verdade ele tinha vontade de escrever um livro, mas ao invés de um livro a gente fez documentário. Ele já tinha um livro, mas era mais didático. Ele não tinha uma biografia. E como eu sabia pouco da história, o primeiro passo foi falar com ele, captar dois ou três dias dele falando sobre a vida. Para a partir disso extrair coisas para o documentário.
Terra - E como foi a reação das pessoas ao falar sobre Rico?
Guga Sander - 
Depois que eu ouvi a história dele, para não fazer a biografia do Rico, para não ficar uma coisa institucional do Rico, queria contar a história do surfe. Queria que a história do Rico costurasse a história do surfe. Então a gente fez uma lista de pessoas da geração do Rico, que são pessoas com cerca de 60 anos, que pudessem falar sobre a história do surfe no Brasil e no Havaí. A gente queria curiosidades e fatos que fizeram a história do surfe. E o documentário não deixa de ter aquela boa fórmula de documentário. Não tinha outro jeito para fazer a não ser pegar pessoas para falar do passado. E aí a gente ilustra com imagens de arquivo, de notícias da época e fotos também.
Terra - Depois de fazer a lista, qual foi o próximo passo?
Guga Sander - 
A gente foi para o Havaí com uma equipe e passou uma temporada lá. Eu tive o privilégio de falar com pessoas da geração do Rico, pessoas superimportantes do surfe havaiano. Como, por exemplo, o Randy Rarick, fundador da Tríplice Coroa Havaiana (conjunto de três campeonatos na ilha de Oahu), que tem um bom relacionamento com o Rico e já veio para o Brasil. Filmamos também com Fred Hemmings, que é senador - e é complicado falar com um senador, mas conseguimos uma agenda na janela dele, foi super bacana. Falamos com o Fast Eddie, que é um cara supertemido no Havaí. Há 30 anos, todos estrangeiros tinham medo dele. Porque ele fundou os Black Trunks (também conhecidos como Da Hui), que eram surfistas de shorts pretos que afastavam qualquer pessoa que chegasse ao Havaí. Se uma pessoa chegasse na praia e tivesse um cara de short preto, ninguém mais podia surfar. Ele era como um Al Capone do Havaí: já matou e torturou muita gente lá.
Terra - E como foi entrevistar uma pessoa assim?
Guga Sander - 
Foi temeroso (risos). Cada frase dele tinha cinco palavrões. Ele grita e é bruto, mas hoje em dia não dá porrada como dava antigamente, porque ele tem um problema com a Justiça. Hoje em dia a coisa mudou. Mas eu só consegui fazer essa entrevista por influência do Rico, que ajudou a fazer a ponte com vários entrevistados.
Terra - Já que você tem essa proximidade com o surfe, imagino que fazer essas entrevistas deve ter mexido com você...
Guga Sander - 
Com certeza. Para mim, entrevistar pessoas como Clyde Aikau foi um sonho, foi emocionante. Eu presenciei tudo isso através de livros, histórias. O Clyde é irmão do Eddie, que já morreu, mas que teve uma participação muito importante no surfe, era superfamoso e pegava as maiores ondas do Havaí. Então realmente senti muitas emoções.
Terra - E quem você entrevistou no Brasil?
Guga Sander - 
No Brasil entrevistei muita gente. No Rio de Janeiro, em São Paulo... entrevistei o Evandro Mesquista, por exemplo, que também viveu a época do surfe nos anos 80. Filmei com o Rickson Gracie, que falou do surfe e do jiu-jitsu. Falei com Kadu Moliterno, com o Tito Rosemberg. Entrevistei também pessoas do surfe de hoje em dia, como o Gabriel Medina e o Mineirinho, para fazer um contraponto. Vou mostrar uma época em que você não podia viver do surfe, mas também hoje em dia, que o surfe tem glamour, tem muito dinheiro. Você vai em uma favela hoje e vê crianças que querem ser surfistas porque sabem que podem viajar muito e ganhar dinheiro.
Terra - E entre tantos depoimentos, qual foi o preferido?
Guga Sander - 
Não tenho um preferido. Todos são depoimentos fortes. Cada um tem sua riqueza e não tenho um preferido, sinceramente. Mas o Evandro Mesquita, por exemplo, foi fantástico. Ele tinha uma música para essa época e tocou para a gente, na hora, ao vivo. E teve também esses caras do Havaí, que eu comentei. São pessoas fortes, que viveram uma época difícil. Eles viveram a transição do surfe amador para o profissional. Mas todas pessoas se empolgavam muito. Uns depoentes choravam, outros riam. Tinham muitas emoções distintas, como melancolia, nostalgia, diversão... dava para sentir tudo isso.
Terra - Qual foi a principal dificuldade para fazer o documentário?
Guga Sander - 
Na verdade foi e está sendo costurar as histórias. Porque em um documentário você começa a pegar um depoimento e nele se revela uma história nova. Então, você tem que abrir mão de algumas histórias para fazer outras, porque não cabem todas no documentário. A principal dificuldade é essa. Nesse documentário, por exemplo, tem uma pessoa riquíssima, que é o Horácio Seixas. Ele é irmão do Raul Seixas e trabalhou com o Rico. Hoje, ele mora no Havaí, mas era do Rio de Janeiro, fazia pranchas lá. E ele é uma figura, contou muitas histórias boas, não só do Raul, mas do surfe mesmo. Foi um achado, porque ele tem muita riqueza.
Terra - Nessa comparação entre o surfe de antigamente e o surfe atual, qual foi sua conclusão depois de tantos depoimentos?
Guga Sander - 
Basicamente o que eu concluo é o que já está concluído. O surfe hoje realmente é uma indústria, que movimenta muito dinheiro, de várias empresas. Antigamente eram poucas que se associavam ao surfe. Mas hoje em dia é um esporte desejado por muita gente, não só profissionalmente, mas filosoficamente também. Porque o surfe é uma maneira de extravasar para muita gente, mas também é uma profissão para outra grande parcela. E antigamente não. Você tinha que ser engenheiro, médico, advogado. Ser surfista era a única coisa que a família não queria que você fosse. E essa geração do Rico era de pessoas que eram vistas de maneira repulsiva. Elas sofriam preconceito mesmo, essa é a palavra. Hoje em dia não. Isso é uma evolução não só do surfe, mas também da sociedade.
Sobre Rico de Souza
Nascido em 12 de junho de 1952, no Rio de Janeiro, Ricardo Fontes de Souza virou "Rico" aos doze anos, quando começou a surfar. Seu primeiro título veio em 1969, no Campeonato Magno, mas esse foi só o começo de uma carreira vitoriosa - ele também foi bicampeão brasileiro de surfe e tri de longboard, modalidade na qual ele passou a conquistar prestígio internacional. Mas as melhores ondas de Rico vieram fora do mar: ele começou consertando pranchas, criou uma série de produtos, virou um empresário do surfe e recebeu títulos como "Cidadão Benemérito do Estado do Rio" e "Embaixador do Surfe Brasileiro". Seu feito mais recente foi entrar para o Guinness Book por surfar com a maior prancha do mundo, de 9,42m e mais de 100kg.
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