Organização sofre pela falta de campeões e esvaziamento do seu plantel de lutadores desde que foi adquirida pela Zuffa.
Por Victor Calejon(*)
Um torneio de MMA. Cinco divisões de peso masculinas, duas divisões femininas. Apenas três campeões. Este cenário de visível dificuldade e falta de atrativos para o público poderia facilmente ser imaginado em torneios pequenos, mas quando pensamos que é a atual realidade daquela que foi a segunda maior organização de MMA do mundo, com lutadores e lutadoras de ponta em todas as suas divisões e uma categoria de pesados apontada por muitos como superior à correspondente no UFC, só podemos sentir uma grande nostalgia.
Após ter sido comprado pela Zuffa (companhia dona do UFC), o processo de transferência de campeões e dos maiores nomes do Strikeforce tomou uma maior proporção, incluindo a extinção da divisão dos pesados – a mais popular e interessante da organização. Mas não foi apenas este processo que culminou nas dificuldades atuais do Strikeforce.
A organização apostou alto no nome de Fedor Emelianenko, que nem de longe correspondeu às expectativas, saindo vitorioso apenas na sua estréia no torneio (contra Brett Rogers) e derrotado nas três lutas seguintes, levando à sua demissão (ou não renovação do contrato). Sabendo das dificuldades de negociação com a empresa que gerencia a carreira de Fedor, imaginamos que o investimento não deva ter sido pequeno, ainda mais para um retorno tão baixo.
Cristiane Cyborg, após meses parada sem conseguir adversária, acabou suspensa por doping depois de sua última luta, perdendo o cinturão e praticamente decretando o fim de sua categoria de peso, que já sofria com a falta de lutadoras e ainda ficou sem a campeã.
Por mais que os donos da Zuffa digam que o Strikeforce será mantido por mais algum tempo e que grandes lutas ainda acontecerão no evento, imaginamos que as coisas não serão assim. A edição de número 40 do Strikeforce, que acontecerá no dia 19 de maio, deve marcar este processo de decadência, com a final do GP dos pesos pesados – e sua posterior extinção – e mais uma defesa do cinturão dos leves, numa aguardada “negra” entre o dominante campeãoGilbert Melendez e o responsável por sua última derrota (mais tarde vingada), Josh Thomson. O que vem depois disso não é nada animador.
Gilbert Melendez varreu a divisão dos leves do Strikeforce e, se tiver o braço levantado no final do duelo contra Thomson, não terá mais lutas interessantes a fazer por lá. A solução seria levar alguns nomes da emboladíssima categoria do UFC para enfrentá-lo. Chegou-se inclusive a cogitar confrontos contra Anthony Pettis ou BJ Penn, que viram com maus olhos a proposta. Dificilmente teremos grandes lutas para Melendez no Strikeforce.
Ronda Rousey, nova campeã peso galo, além de grande lutadora, tem lá seu apelo com o público e sabe vender bem suas lutas com bastante trash talking. Mas o MMA feminino sofre com o preconceito de muitos e a falta de fãs e de atletas de alto nível. Além disso, o fenômeno Ronda Rousey tem o “defeito” de acabar as lutas rápido demais (suas três lutas amadoras e cinco profissionais terminaram sempre no primeiro round, com finalização por armlock, e, à exceção da última, antes do primeiro minuto). Por mais que gostemos de ver Ronda lutar, não sabemos se ela é capaz de protagonizar e vencer uma guerra, aquele tipo de duelo épico que gostamos de ver. Sarah Kaufman, sua próxima desafiante, muito dificilmente vai ter um destino diferente das demais adversárias de Rousey, que vai acrescentar mais um braço à coleção. Não será Ronda que manterá sozinha o nome e prestígio do Strikeforce, que contará ainda com a concorrência do recém-inaugurado Invicta FC, torneio de MMA exclusivamente feminino.
Luke Rockhold, atual campeão dos médios, é um excelente lutador, mas desconhecido do grande público. Aliás, só este desconhecimento pode explicar a escolha de seu último desafiante, o mais do que decadente Keith Jardine que, apesar de ter saído derrotado em seis das últimas nove lutas, com duas vitórias e um empate (mais do que questionável) contraGegard Mousasi, tem mais nome do que Rockhold. Somado ao péssimo retrospecto recente, aquela era a primeira luta de Jardine nos pesos médios. O resultado dessa luta que não fazia o menor sentido foi mais do que previsível, com uma atuação desprezível de Jardine – que deveria selar sua aposentadoria. Uma revanche contra Ronaldo Jacaré seria interessante mas, além do campeão e do brasileiro, a categoria não possui outros grandes nomes.
Entre os meio-médios, não há campeão nem nomes suficientes para alavancar a divisão, que sofreu enormemente com a transferência de Nick Diaz para o UFC. A aposta da Zuffa agora reside em Nate Marquardt, demitido por justa causa do UFC sem que o motivo se tornasse público.
Já nos meio-pesados, categoria também sem campeão, temos alguns bons atletas, como Mousasi e Rafael Feijão, que poderiam protagonizar grandes lutas. Mas, depois da ida do campeão Dan Henderson e da suspensão por doping e demissão de “King” Mo Lawal, faltarão atrativos na categoria.
Apesar do pequeno número de edições anuais, o Strikeforce sempre teve eventos memoráveis. As dificuldades para acompanhar ao vivo um torneio que não possui exibição regular na TV brasileira eram grandes, mas invariavelmente as excelentes lutas valiam todo esforço de encontrar links (muitas vezes de má qualidade) na internet. Além disso, é sempre bom fugir um pouco do monopólio e do padrão estético do UFC e ver uma outra forma de fazer MMA, comannouncer, narração, visual e repórteres diferentes.
Assim como o Pride e o WEC, o Strikeforce vai deixar saudades…
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