Dois nomes grandes do MMA (sigla em inglês para Artes Marciais Mistas) vão se enfrentar na Rússia na noite de 21 de junho. O brasileiro Pedro Rizzo será o adversário do russo Fyodor Emelyanenko no Palácio do Gelo de São Petersburgo.
Pedro Augusto Rizzo nasceu em 13 de maio de 1964 no Rio de Janeiro e é conhecido como The Rock – "A Rocha" – devido aos potentes golpes que desfere nos adversários e à sua resistência. Ele é tido como uma lenda da luta brasileira, devido aos seus grandes desempenhos nas mais diversas modalidades.
Fyodor Emelyanenko nasceu no povoado de Rubejnoie da região de Lugansk (hoje território da Ucrânia) em 28 de setembro de 1976 e é considerado como um dos maiores lutadores de MMA em todo o mundo. Como o brasileiro Pedro Rizzo, o russo Fyodor Emelyanenko passou por várias outras modalidades de luta até se consagrar nas artes marciais mistas. Em entrevista exclusiva à Voz da Rússia Pedro Rizzo falou da sua carreira e do próximo combate contra Fyodor Emelyanenko.
Pedro Rizzo: Meu pai é judoca, e me fez treinar judô aos três anos. Depois fui fazer capoeira, a arte marcial brasileira, e aos 14 anos conheci o Marco Ruas, que é meu professor, e Marco Ruas foi me treinar o muai tai, o kickboxing. Comecei a treinar o kickboxing aos 14 anos e depois fui para o jiu-jitsu, aos 15, também com o professor Marco Ruiz. Pratiquei o jiu-jitsu e o kickboxing durante 6 anos. Fui morar na Holanda, e fui kickboxer profissional na Holanda, - na Europa. E quando voltei da Holanda, comecei a lutar no Brasil. Na época era o vale-tudo, não tinha luvas. Eu fiz umas oito lutas sem luvas, e aí entrei para Ultimate Fight, em 1998.
Eu não acho que MMA seja um esporte violento. Acho que é esporte de contato, é a luta. Eu acho que violência é outra coisa, é cobardia. Acho que a luta é um esporte como qualquer outro. É esporte de contato, como o boxe, karatê ou kickboxing, onde os atletas estão preparados para lutar. Na história do MMA, nunca tivemos uma morte neste esporte, no entanto, o boxe tem mais de 400 mortes. Dentro do MMA, nunca teve um caso sério de machucada. Acontece que você é knockouteado, você tem cortes, mas isso tudo em duas ou três semanas passa.
Eu acho que existe muito respeito e os lutadores que estão em cima do ringue são lutadores que treinaram muito, são atletas. Então acho que dentro do ringue uma forma de respeitar o adversário ao máximo é tentar vencê-lo.
Eu tento dar o meu melhor no ringue. Para mim o resultado é a consequência do que você faz no ringue. O importante é dar o melhor. Se por acaso eu for knockouteado, isso faz parte do esporte. A vitória e a derrota convivem lado ao lado. Eu acho que a melhor forma de lutar é tentar vencer da forma rápida.
Quando me chamaram para lutar, eu fiquei muito feliz de poder lutar, de poder competir e me testar contra Fyodor. Meu empresário já tinha me falado dessa luta com Fyodor de fevereiro, mas eu tinha uma lesão no braço então não sabia se ia conseguir lutar. Eu soube que Fyodor só ia lutar em junho, e me enchei de esperança de poder lutar com ele. Eu sempre quis lutar com Fyodor nos últimos cinco ou seis anos. Fyodor foi o melhor nos últimos dez anos no peso-pesado. Talvez seja o melhor peso-pesado no mundo. Fyodor é um lutador muito inteligente.
Desde os três anos eu fui criado no ambiente deste esporte, da luta. O esporte é uma ferramenta social: você consegue diminuir umas diferenças sociais dentro do esporte, onde o rico e o pobre são todos iguais, porque o esporte tem regras para todos, então você consegue botar as pessoas sobre a mesma regra. E você consegue às vezes mudar a vida das pessoas por meio do esporte. Na Academia de Judô por exemplo, no tatami, você tem pessoas de todos os rangos sociais, de diferentes raças, e todos são atletas. Não há essas diferenças lá no tatami. É uma ferramenta social muita boa. Tudo o que eu tenho na minha vida, eu ganhei no ringue, desde amigos e o conhecimento até os materiais. Então uma forma de eu começar a pagar a minha dívida com o esporte é tentar dar a mesma oportunidade para outras pessoas e muito mais para as pessoas que não têm às vezes a ferramenta para conseguir o sucesso, como é o caso das pessoas carentes. É porque eu me ocupo de crianças. Criança é que nem um CD virgem: se você gravar nela, é uma fita virgem, você grava nela e ela leva para a vida.
Se hoje temos aqui quinhentos crianças, não vamos fazer delas quinhentos campeões mundiais, mas a semente do esporte vai estar implantada na cabeça delas. Esta semente é o respeito ao próximo, é a disciplina, o fair play, o saber ganhar e perder. Você tem que ser social porque você precisa do outro para se treinar, então você acaba com as diferenças racistas, essas coisas tão ridículas. A criança quando nasce, não tem raiva, não tem racismo, ela não sabe se é pobre ou é rica. Porque não implantar nas cabeças das crianças uma semente dessas, que não existe uma diferença entre pobre e rico e entre preto e branco? Eu acho que o esporte traz isso.
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