Michael Bisping e Jason Miller se enfrentarão numa noite com duas candidatas a top-3 da história das finais do TUF. Campeão da temporada passada, Tony Ferguson tenta a terceira vitória consecutiva.
Além do duelo dos pesos médios Michael Bisping e Jason Miller, o evento de sábado contará com as finais das categorias. Os americanos John Dodson e TJ Dillashawlutarão pelo título dos galos, enquanto o brasileiro Diego Brandão terá o americanoDennis Bermudez como oponente pelo título dos penas. O vencedor do TUF 13 Tony Ferguson completa o card principal contra o bahamense Yves Edwards.
O canal Combate exibirá o evento ao vivo a partir das 21:15h.
Michael Bisping (ING) vs Jason Miller (EUA)
Dois dos maiores fanfarrões do MMA mundial poderão resolver suas diferenças no octógono e aproveitar para seguir em frente na divisão dos pesos médios do UFC.
O britânico é um dos lutadores que mais despertam antipatia do público ao redor do mundo. Uma explicação para isso talvez seja a arrogância de alguém que não passa de um bom lutador. Comprar Michael Bisping pelo que ele vale e vendê-lo pelo que ele acha que vale é um dos maiores negócios do mundo. Seja no TUF 3 como atleta, ou no 9 como treinador, o camarada conseguiu irritar muita gente. Venceu o programa que disputou, mas acabou duramente nocauteado por Dan Henderson no UFC 100. O banguela creditou o nocaute à falação insuportável do “Conde”.
“Mayhem” Miller anda pelo caminho oposto. Cabelos coloridos, entradas amalucadas nos octógonos e ringues, líder do programa Bully Beatdown, sucesso da MTV americana (exibido no Brasil no VH1) e incrível capacidade de falar besteira dão grande popularidade ao ex-desafiante do Strikeforce. Apesar disso, vive se metendo em confusão. A última delas foi o papelão protagonizado depois da vitória de Jake Shields sobre Hendo no Strikeforce, quando invadiu ocage e provocou uma pancadaria com o staff de Shields. Ele possui cartel de 24-7.
Aos 32 anos, com cartel de 21-3, Bisping foi protegido por muito tempo pelo UFC, que visava ganhar o mercado inglês com sua imagem. Depois de vencer Matt Hamill numa decisão absurda, Mike foi derrotado pelos três lutadores de ponta que enfrentou (Rashad Evans, Wanderlei Silvae Hendo). Ele sabe se virar em todas as áreas do jogo, mas não demonstra brilho em nenhuma delas.
Miller levará prejuízo em pé, mas terá enormes chances de vencer se conseguir trazer a luta para sua área de conforto. Das 24 vitórias, 14 vieram por submissão. No ano passado ele conseguiu o feito de ter sido o primeiro homem a finalizar a lenda Kazushi Sakuraba depois de mais de 10 anos (o japonês só havia batido em sua estreia). Mesmo quando pegou lutadores de jiu-jitsu de alto gabarito, como Ronaldo Jacaré e Shields, conseguiu conduzir o duelo até o final.
Teremos aí um duelo interessante. Bisping jamais foi finalizado. Chegou a ficar envergado numa guilhotina aplicada por Wand, mas resistiu. Isto leva a crer que a maior probabilidade é que a luta termine por decisão, já que o britânico não tem poder de punch suficiente para nocautear o americano. Se Miller conseguir trabalhar seu bom ground and pound, poderá vencer. Para Bisping, o ideal é manter a luta em pé o maior tempo possível. Probabilidade de vitória: 50/50.
Johnathan Dodson (EUA) vs Tylor Jeffery Dillashaw (EUA)
Os dois melhores lutadores do elenco dos pesos galos, provenientes de duas equipes de elite, lutarão pelo contrato de seis dígitos.
Dillashaw (Team Bisping) é o mais novo produto revelado pela Team Alpha Male, uma das maiores fábricas do mundo de pequenos talentos, equipe de Urijah Faber, Chad Mendes e Joseph Benavidez. Entrou na casa invicto em 4 lutas. Na eliminatória encarou o duro Matt Jaggers e precisou das quedas para desfazer o equilíbrio da luta em pé. No chão ele passeou e conseguiu o nocaute técnico no soar da buzina do primeiro round. Contra Roland Delorme novamente TJ mostrou agilidade nas quedas e controle por cima para conseguir um mata-leão no segundo round. Na semifinal Dillashaw não tomou conhecimento de Dustin Pague e o atropelou por decisão unânime, abusando das quedas e ground and pound de dentro da guarda do adversário.
Dos expoentes da Alpha Male, TJ lembra mais Chad Mendes, com ritmo menos frenético em relação a Faber e Benavidez e muito baseado no wrestling, além de possuir mãos pesadas. Maior do que a média dos galos, ele normalmente terá vantagem física nos combates. E nesta final não será diferente.
Dodson (Team Miller) é um interessantíssimo lutador. Baixinho (1,60m), ex-peso mosca, dono de um ritmo alucinado, ótimo preparo físico, bom de quedas e na trocação. Na eliminatória ele já mostrou que o negócio seria tenso ao nocautear Brandon Merkt com 90 segundos. John Albert foi a vítima da fase seguinte, derrotado por decisão unânime. Na semifinal, Dodson dominou Johnny Bedford no primeiro round e o espancou no segundo, conquistando um nocaute técnico.
John não poderia ter um apelido melhor: “O Mágico”. Não importa para onde o oponente se mova, Dodson sempre estará diante dele. O pupilo de Greg Jackson tem bom nível na trocação, variada com golpes na cabeça e no corpo, chutes e socos. Ele completa o panorama com uma base de wrestling, cuja defesa de queda é o grande destaque.
Apesar da vantagem física, será complicado para TJ estabelecer vantagem. Além de Dodson praticamente não parar, ele defende quedas com precisão. Bedford também era bem maior e apanhou bastante. O melhor caminho para Dillashaw será aquilo que ele faz melhor: ground and pound dentro da guarda do adversário. Mas até conseguir uma queda, será bem possível que Dodson o acerte por diversas vezes. Seja por nocaute técnico na segunda metade da luta ou por decisão unânime, o baixinho deve levar o troféu (e o contrato) para casa.
Dennis Bermudez (EUA) vs Diego Brandão (BRA)
Confronto de estilos marca a disputa pelo contrato dos penas.
O cartel de 13-7 não era dos melhores, pelo menos nos padrões do UFC. Aos 24 anos, Diego (Team Bisping) entrou na casa sem constar na lista dos favoritos iniciais. Se alguém o menosprezou, pagou caro. A começar nas eliminatórias contra o albino Jesse Newell, nocauteado em menos de 50 segundos, causando uma engraçada reação de espanto em Dana White. O segundo adversário durou ainda menos: Steven Siler sucumbiu com meio minuto. Na semifinal, o experiente Bryan Caraway durou mais de 4 minutos, mas isto apenas significou que ele passou mais tempo apanhando. E Caraway apanhou como mala velha.
Dono de um estilo que lembra uma mistura entre Wanderlei Silva e José Aldo (nas virtudes e deficiências), Diego pavimentou seu caminho às custas de muitos chutaços nas pernas, joelhadas e mata-cobras que, se não acertam o vento, causam danos sérios à concorrência, além de muita fúria, agressividade e disposição. Apresentou um bom nível de defesas de quedas, mas nenhum oponente anterior possuía o nível de Bermudez na luta olímpica.
Prestes a completar 25 anos, Bermudez (Team Miller) tem cartel de 7-2. Conquistou o status deall-american na Divisão I da NCAA na luta olímpica estilo livre. Para chegar à final, passou por mais problemas que o oponente. Sofreu no primeiro round da eliminatória antes de aplicar um nocaute técnico em Jimmie Rivera. Contra o forte Stephan Bass, controlou a luta e conseguiu mais um nocaute técnico no segundo round. Na semifinal, mais sofrimento. Levou doisknockdowns de Akira Corassani antes de conseguir aplicar uma bela queda. No chão encaixou uma guilhotina e venceu no round inicial.
Se é bom de clinch e de quedas, não podemos dizer o mesmo da trocação de Bermudez. Ofensivamente ele tem baixo aproveitamento de golpes, acertando mais o ar do que o oponente. Já a defesa… Durante as lutas do confinamento, Dennis costumava defender os golpes com o rosto, motivo principal pelo qual passou tantas situações de aperto na escalada rumo à decisão.
O panorama aqui será claro. Bermudez precisará a todo custo levar Brandão para o chão, de preferência caindo por cima do brasileiro, trabalhar o ground and pound e manter o oponente ocupado se protegendo (e se desgastando). Como as lutas de Diego dificilmente chegam ao terceiro round, pode ser uma boa ideia para o americano cozinhar o combate. Se Dennis resolver trocar porrada, deverá ter o mesmo destino dos três oponentes do cearense na casa: será nocauteado no primeiro round. Como o cearense faz parte do time de Greg Jackson, provavelmente entrará com um plano para anular as quedas de Bermudez, usando o velhosprawl and brawl.
Tony Ferguson (EUA) vs Yves Edwards (BAH)
Ferguson entrou numa temporada do TUF com poucos talentos. Como isso não era problema dele, botou todo mundo no bolso e levou o contrato pra casa. Já pelo UFC, conquistou duas grandes vitórias. Primeiro desceu a borduna em Ramsey Nijem, na final do TUF 13. Depois quebrou a mandíbula de Aaron Riley no UFC 135 em apenas um round. Boxeador técnico, “El Cucuy” também é um wrestler de bom nível e tem tudo para traçar um caminho com mais triunfos do que percalços na maior organização do mundo. Possui cartel de 12-2 e 27 anos.
Velho de guerra, Edwards será um bom teste para Tony. Com retrospecto de 41-17-1 e 35 anos, o camarada está na atividade desde 1997, tendo passado antes pelo próprio UFC, WEC, PRIDE, EliteXC e Bellator, dentre outros. Bom no clinch, trocação versátil, vem de boa vitória sobre Rafaello Trator, quando deu uma clínica de chutes de toda sorte. Possui também um sólido retrospecto no chão. Esta versatilidade está impressa em seu cartel: ele conseguiu 15 nocautes e 17 submissões.
Contra um oponente que tem no boxe sua maior virtude, os chutes de Yves serão úteis, seja para mantê-lo longe ou desestruturar sua base. Ferguson, por outro lado, tem duas grandes ferramentas. Ou pode imprimir um ritmo forte no começo, buscando o nocaute – aproveitando que o queixo de Yves já não é mais o mesmo -, ou pode apelar para o wrestling, controlando o ritmo da luta, mas sempre sabendo dos riscos que correrá se cair por baixo.
A chave da vitória do bahamense é atrair o americano para uma guerra, principalmente degrappling no chão. Mas provavelmente o destino dele deverá ser o mesmo de Nijem e Riley.
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