Lesionado logo na primeira luta do Grand Slam de Paris, no último dia 5, o atleta precisará parar. E isso significa não apenas deixar os treinos, mas também abrir mão da última grande competição que definirá, de vez, o selecionado da categoria para competir nas Olimpíadas. O Grand Prix de Düsseldorf, na Alemanha, premiará o campeão com 200 pontos. Se vencer o torneio, marcado para este fim de semana, Hugo Pessanha, hoje em sétimo na listagem internacional, será o classificado para os Jogos. Caso não consiga o ouro, o carioca perderá a vaga para Tiago Camilo, que está logo atrás dele no ranking, em oitavo.
Na hora do tudo ou nada, Hugo Pessanha tenta focar na realização do sonho de disputar, pela primeira vez, uma edição olímpica. “Estou me preocupando em lutar bem, independentemente da lesão dele. Se ele fosse competir, a minha missão seria a mesma”, explica, acrescentando que torce pela recuperação do compatriota.
O que o judoca não quer, contudo, é que o esforço dele dos últimos quatro anos seja desvalorizado. “É injusto falarem que só posso conseguir a vaga porque o Tiago se machucou, como se eu não tivesse tido mérito em todos os pontos que conquistei. Se não houvesse nenhum outro brasileiro na zona de classificação da categoria, não iria ninguém”, desabafa. “Não estou nessa posição à toa. Estou competindo como um condenado para conseguir esses pontos.”
Nesse dilema, o irmão e empresário de Tiago, Luiz “Chicão” Camilo, tenta amenizar qualquer polêmica. Ele diz que, apesar de o Grand Prix valer vaga olímpica, não há qualquer desejo de que o rival direto fracasse. “Não estamos torcendo contra o Hugo, mas queremos que o Tiago vá para Londres. O Hugo é um excelente amigo, saímos juntos quando ele veio ao Sul, conheço o pai dele. São batalhadores”, conta. “A gente sabe que a terceira medalha olímpica não é fácil, mas essas lesões são também fruto do trabalho intenso que estamos fazendo”, emenda Chicão.
Azar na estreiaEm seu confronto inicial do Grand Slam, contra o atleta do Quirguistão Chingiz Mamedov, Tiago Camilo teve uma lesão ligamentar no ombro direito. Chegou a vencer a luta, mas não conseguiu entrar para a segunda rodada, contra o holandês Robby van Laarhoven. O brasileiro também apresenta hérnia de disco na coluna cervical, entre a quarta e a quinta vértebras. O tratamento está sendo feito em São Paulo com a equipe médica da Confederação Brasileira de Judô (CBJ).
Muita calma nessa hora
O momento é de tensão para ambos os lados, mas Tiago Camilo jura que mantém a calma. “Estou tranquilo com os meus resultados deste ciclo. Com essa lesão, infelizmente, agora não depende mais de mim”, pondera o judoca, que diz preferir focar na recuperação, com o intuito de conseguir um tratamento rápido, para, quem sabe, estar bem na época das Olimpíadas.
A serenidade do medalhista olímpico pode ser explicada pelo próprio histórico do ranking. Não é de hoje que os dois atletas duelam por posições. Em maio do ano passado, por exemplo, Tiago estava em sétimo, enquanto Hugo aparecia em 10º lugar. Já em junho, o carioca subiu para a oitava posição. No início deste ano, o paulista até abriu uma vantagem de seis colocações, porém, após o Mundial do Cazaquistão — competição que poderia ter distanciado um do outro, mas ambos acabaram derrotados na segunda rodada de lutas —, Tiago ficou em quinto, e Hugo, em sexto. Agora, a ordem se inverteu.
Esforço na reabilitaçãoNa corrida pela recuperação, Tiago Camilo faz duas sessões diárias de fisioterapia. Em duas semanas, ele deve voltar às atividades mais simples. Treinar em ritmo pesado novamente, no entanto, somente em cerca de dois meses.
Saiba mais...
A serenidade do medalhista olímpico pode ser explicada pelo próprio histórico do ranking. Não é de hoje que os dois atletas duelam por posições. Em maio do ano passado, por exemplo, Tiago estava em sétimo, enquanto Hugo aparecia em 10º lugar. Já em junho, o carioca subiu para a oitava posição. No início deste ano, o paulista até abriu uma vantagem de seis colocações, porém, após o Mundial do Cazaquistão — competição que poderia ter distanciado um do outro, mas ambos acabaram derrotados na segunda rodada de lutas —, Tiago ficou em quinto, e Hugo, em sexto. Agora, a ordem se inverteu.
Esforço na reabilitaçãoNa corrida pela recuperação, Tiago Camilo faz duas sessões diárias de fisioterapia. Em duas semanas, ele deve voltar às atividades mais simples. Treinar em ritmo pesado novamente, no entanto, somente em cerca de dois meses.
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Pontuação
O sistema de pontuação do ranking da Federação Internacional de Judô (FIJ) é um pouco complicado de se entender. De acordo com os critérios, quando uma competição já ocorreu há um determinado tempo, os pontos obtidos nela acabam sofrendo deduções. Hoje, Hugo Pessanha está 34 pontos à frente de Tiago Camilo, mas, em abril deste ano, o carioca perderá metade da pontuação obtida no Pan-Americano de 2010, ou seja, 90. Com isso, ele será ultrapassado pelo rival, que ficará com 56 pontos a mais e não tem nada a perder. Assim, apenas os 200 do ouro do Grand Prix da Alemanha são capazes de reverter a cena, já que só são computados os cinco melhores resultados de cada atleta. Hugo tem 160, 120 (duas vezes), 100 e 80.
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