As seleções masculina e feminina de rugby sevens retornaram ao Brasil nesta terça-feira (14) depois de passar o final de semana competindo em Las Vegas, nos Estados Unidos, no Circuito Mundial. As equipes enfrentaram as melhores seleções do mundo na competição mais importante da modalidade seven-a-side.
Equipe feminina terminou em quinto lugar no torneio (foto: Fabio Schroeder / CBRu)
As brasileiras sofreram três derrotas no qualifying – Canadá (26 a 0), Holanda (36 a 0) e EUA ‘A’ (36 a 5) -, o que motivou a participação na Copa de Prata. Após corrigir falhas de defesa e objetividade em campo, a equipe se reestruturou, impôs seu ritmo de jogo e alcançou duas vitórias: Canadá ‘A’ (12 a 5) e EUA ‘A’ (21 a 14). O resultado valeu o quinto lugar no torneio.
“Elas surpreenderam e mostram uma incrível capacidade de superação pois, normalmente, no segundo dia o cansaço é maior e os resultados acabam não sendo muito bons, mas com elas foi exatamente o contrário. Agora é corrigir as falhas e partir para a próxima. Afinal, a soma dos pequenos detalhes é o que traz resultados.”, analisa José Eduardo, treinador da equipe.
A seleção feminina ainda participará de mais duas etapas do Circuito Mundial, em Hong Kong, de 23 a 25 de março, e na Inglaterra, etapa final do torneio, de 12 a 13 de maio. As vencedoras dessa etapa americana foram as canadenses, que derrotaram os EUA por 14 a 5 na final.
O presidente da Confederação Brasileira de Rugby (CBRu), Sami Arap Sobrinho, ressalta que o desempenho está melhorando gradativamente. “Assim como a Seleção Masculina, o Feminino viajou com a base da seleção principal, adicionada com jovens atletas, recém-saídas das categorias de base, sempre visando o desenvolvimento a longo prazo para 2016. A transição deve ocorrer paulatinamente e de forma planejada. Os resultados em Las Vegas foram excelentes considerando que elas enfrentaram as melhores seleções da atualidade e, depois, surpreenderam ao vencer equipes tradicionais como EUA e Canadá”, explica o presidente.
Seleção Masculina aproveita aprendizado no Circuito Mundial
Seleção masculina em desenvolvimento teve um bom aprendizado (foto: IRB/ Martin Seras Lima)
Apesar das cinco derrotas sofridas, os objetivos da CBRu foram atingidos. A escalada rumo ao grupo de elite internacional não é simples e mostrou a grande diferença entre o Brasil e as melhores equipes do mundo: Inglaterra (29 a 5), Quênia (38 a 0), Escócia (33 a 5), Austrália (50 a 0) e França (33 a 7).
“Geralmente, as primeiras participações geram resultados de 50-60 pontos a zero e o Brasil manteve uma média de 35 pontos (salvo em relação à Austrália), tendo marcado tries contra Inglaterra, Escócia e França (países do tier-1 – as dez melhores seleções do mundo, segundo o IRB)”, afirma Sami Arap Sobrinho.
“Viajamos com uma equipe mesclada, composta por atletas experientes e jovens talentos, justamente para mostrar aos mais novos o futuro que os espera: competição de altíssimo nível. As partidas mostraram que o Brasil precisa desenvolver fundamentos específicos da modalidade, para que anualmente suba um importante degrau no ranking das principais seleções do mundo. Perder com garra e dedicação é aprender”, acrescentou Sami.
Inclusive, o início contra os ingleses foi bastante elogiado pela garra da equipe, que anotou o primeiro try no Circuito com Felipe Claro, o Alemão, logo no primeiro jogo. Contudo, nas demais partidas, a equipe não conseguiu criar muitas oportunidades e houve muitas falhas nos tackles. A Seleção terminou em último lugar no Grupo D, disputando as partidas remanescentes contra Austrália e França na Copa Shield (disputa de 13º ao 16 lugares).
Apesar disso, a experiência foi muito positiva para o grupo. “As diferenças de condições físicas e de ritmo de jogo certamente foram uma grande dificuldade, já que vivenciamos outra realidade competitiva. Mas é um grupo jovem e pôde sentir como é jogar com equipes de alto nível, o que contribui muito para o crescimento”, reassaltao técnico da seleção Maurício Coelho.
O grande campeão masculino da etapa de Las Vegas foi Samoa, que disputou uma final emocionante contra a Nova Zelândia. Os samoanos mostraram muita potência e agilidade, mas os All Blacks não desistiram e empataram a partida em 19 a 19. Porém, já com o tempo esgotado, em uma jogada bem trabalhada, a equipe de Samoa definiu o jogo em 26 a 19. Em terceiro lugar ficaram as Ilhas Fiji, que venceram a África do Sul por 21 a 15.
A seleção masculina de desenvolvimento (mescla entre titulares e novatos) não terá recesso de Carnaval: jogarão neste fim de semana (18 e 19), no Sevens del Sol, em San Juan, na Argentina. Segundo Maurício Coelho, a ideia é testar novos jogadores, dando mais ritmo de jogo àqueles que ainda não competiram, e corrigir os erros detectados.
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